O que é Banking as a Service e como funciona?

BaaS

Green Fern

Até poucos anos atrás, oferecer conta digital, cartão ou Pix era exclusividade dos bancos. Hoje, varejistas, marketplaces e aplicativos de transporte incorporam essas funcionalidades aos próprios produtos sem precisar desenvolver uma operação bancária.

Um dos principais responsáveis por essa transformação é o Banking as a Service (BaaS), um modelo que permite a empresas de diferentes setores integrar soluções financeiras de forma rápida e segura. 

Os números confirmam essa tendência. Segundo a Market Research Future, o mercado brasileiro de BaaS movimentou US$ 1,5 bilhão em 2024 e deve alcançar US$ 4,8 bilhões até 2035, impulsionado pela crescente demanda por serviços financeiros digitais e pela expansão do ecossistema de fintechs. 

Neste artigo, você vai entender o que é BaaS, como funciona, quais segmentos mais o utilizam e o que avaliar antes de escolher um provedor.

O que é Banking as a Service?

Banking as a Service (BaaS) é um modelo em que uma instituição financeira licenciada disponibiliza sua estrutura por meio de APIs, permitindo que empresas de diferentes setores ofereçam serviços financeiros sem precisar se tornar um banco.

Por exemplo, uma fintech pode lançar uma conta digital, um marketplace pode automatizar repasses aos vendedores e uma exchange pode integrar Pix à própria plataforma sem construir uma operação bancária.

Em vez de obter uma licença junto ao Banco Central, a organização utiliza as autorizações e a tecnologia de um parceiro licenciado para oferecer:

  • Contas digitais;

  • Cartões;

  • Pix e transferências bancárias;

  • Pagamentos internacionais;

  • Operações de câmbio.

Assim, o cliente final deposita, transfere e paga diretamente no aplicativo ou plataforma da empresa, enquanto toda a operação financeira acontece nos bastidores.

Como funciona esse serviço?

O BaaS conecta três participantes, cada um responsável por uma etapa da operação:

  • Instituição financeira licenciada: fornece a infraestrutura regulatória e custódia dos recursos.

  • Provedor de BaaS: disponibiliza as APIs que conectam essa infraestrutura aos sistemas da empresa.

  • Empresa contratante: integra as APIs ao produto e entrega os serviços financeiros ao cliente.

Para o usuário final, esse processo é invisível: ele interage só com a plataforma da empresa.

A integração acontece por meio de APIs (Interfaces de Programação de Aplicações), que permitem a comunicação entre diferentes sistemas em tempo real. Quando um cliente faz um Pix, a solicitação vai até o provedor de BaaS, que processa a transação e devolve a confirmação em segundos.

Embedded Finance, Open Finance, BaaS e white label

Esses conceitos costumam aparecer juntos porque fazem parte da transformação digital do mercado financeiro. No entanto, cada um desempenha uma função diferente. Enquanto alguns viabilizam a oferta de produtos financeiros, outros permitem o compartilhamento de dados ou aceleram o lançamento de novas soluções.

Banking as a Service

Disponibiliza a estrutura financeira e regulatória para que empresas ofereçam contas digitais, Pix, cartões, câmbio e pagamentos por meio de APIs. É a camada responsável por processar transações e movimentar recursos.

Esse modelo é indicado para empresas que desejam desenvolver uma solução financeira própria, com liberdade para integrar essas funcionalidades diretamente aos seus produtos.

Embedded Finance

Representa a experiência entregue ao cliente final. Nesse modelo, funcionalidades financeiras são incorporadas a produtos não financeiros, como um marketplace com carteira digital ou um aplicativo de mobilidade com pagamentos integrados.

Na maioria dos casos, essa experiência é viabilizada por uma plataforma de Banking as a Service, responsável pelo processamento das operações nos bastidores.

Open Banking e Open Finance

Permitem o compartilhamento de dados financeiros entre instituições, mediante autorização do usuário, ampliando a interoperabilidade do sistema e viabilizando produtos mais personalizados.

Diferentemente do BaaS, o Open Finance não processa pagamentos nem movimenta recursos. Seu papel é facilitar a troca de informações entre instituições, enquanto o BaaS executa as transações.

Banco white label

Permite lançar um aplicativo financeiro com a identidade visual da empresa a partir de uma solução praticamente pronta. A implementação costuma ser mais rápida, mas oferece menos flexibilidade para personalizar a experiência ou desenvolver funcionalidades específicas.

Em resumo, o BaaS fornece a base operacional, o Embedded Finance representa a experiência do usuário, o Open Finance viabiliza o compartilhamento de dados e o banco white label permite lançar um produto financeiro com maior rapidez.

Embora tenham funções diferentes, esses modelos são complementares e podem ser utilizados em conjunto para atender às necessidades de diferentes negócios.

Como escolher entre BaaS e licença própria

Para oferecer serviços financeiros, uma empresa pode seguir dois caminhos: desenvolver uma infraestrutura própria e obter as autorizações necessárias para operar ou utilizar a infraestrutura de um provedor de Banking as a Service (BaaS).

A escolha depende dos objetivos do negócio. No entanto, para muitas empresas, o BaaS reduz significativamente o tempo de implementação, o investimento inicial e a complexidade operacional.

Os desafios de uma licença própria

Operar de forma independente no Brasil exige autorizações do Banco Central e o cumprimento de uma série de requisitos regulatórios. Além do tempo necessário para obter essas aprovações, a empresa precisa formar equipes especializadas e manter processos contínuos de compliance, gestão de riscos e prevenção à lavagem de dinheiro.

O desenvolvimento de uma infraestrutura financeira própria também exige investimentos significativos em tecnologia. Isso inclui a implementação de um core banking, integrações com sistemas de pagamento, mecanismos de segurança, monitoramento de transações e a manutenção contínua da plataforma.

Esse cenário ajuda a explicar por que muitas empresas optam pelo Banking as a Service, utilizando uma infraestrutura já licenciada para acelerar o lançamento de serviços financeiros e reduzir a complexidade operacional.

Os benefícios do Banking as a Service

Ao utilizar uma infraestrutura já licenciada, a empresa elimina grande parte da complexidade técnica e regulatória envolvida na oferta de serviços financeiros. Em vez de desenvolver toda a operação do zero, basta integrar as APIs de um provedor especializado.

Esse modelo reduz o time-to-market, permitindo lançar novos produtos em semanas ou meses, em vez de anos. Além disso, substitui investimentos iniciais elevados por um modelo mais escalável, que acompanha o crescimento da operação.

Outro benefício é o ganho de eficiência operacional. Ao centralizar processos como liquidação, conciliação, roteamento e orquestração de pagamentos em uma única plataforma, a empresa reduz processos manuais, simplifica a gestão financeira e aumenta a eficiência das operações.

Assim, as equipes podem concentrar seus esforços no desenvolvimento do produto e na estratégia do negócio, enquanto a infraestrutura financeira permanece sob responsabilidade de um parceiro especializado.

Segmentos que usam essa solução

O BaaS é utilizado por empresas que precisam incorporar serviços financeiros sem desenvolver uma infraestrutura bancária própria. Entre os principais casos de uso estão:

Fintechs 

Disponibilizam contas digitais, Pix, cartões e outros serviços financeiros sem uma estrutura regulatória própria.

PSPs, gateways e agregadores de pagamento

Processam transações, automatizam liquidações e centralizam a gestão financeira de clientes e estabelecimentos.

Marketplaces e plataformas de e-commerce

Disponibilizam contas digitais, automatizam repasses para vendedores e integram meios de pagamento à jornada de compra.

Plataformas de apostas (betting)

Integram depósitos via Pix e saques instantâneos à plataforma, em conformidade com a regulamentação brasileira.

Exchanges e plataformas de ativos digitais

Conectam o sistema financeiro tradicional ao mercado de criptoativos por meio de contas em reais, Pix, depósitos e saques.

Wallets e aplicativos financeiros

Incorporam funcionalidades bancárias à experiência do usuário por meio da operação financeira terceirizada. 

Empresas de mobilidade e logística

Realizam pagamentos para motoristas, entregadores e parceiros em tempo real, sem depender do horário de funcionamento bancário.

Plataformas de folha de pagamento (payroll)

Automatizam o pagamento de salários, benefícios e outros repasses financeiros.

Empresas de comércio exterior e pagamentos internacionais

Centralizam recebimentos, pagamentos e operações de câmbio em uma única plataforma, simplificando transações internacionais, agilizando o pagamento de fornecedores e reduzindo custos operacionais.

Independentemente do segmento, o BaaS permite incorporar serviços financeiros de forma mais rápida, reduzir a complexidade operacional e escalar a operação sem desenvolver uma infraestrutura financeira própria.

O que avaliar em um provedor de BaaS?

Escolher um provedor de Banking as a Service vai além de comparar funcionalidades e preços. Como essa infraestrutura processa recursos de terceiros, aspectos como conformidade regulatória, segurança e estabilidade operacional devem ser avaliados.

Esse cuidado ganhou ainda mais relevância em 2025, quando o Banco Central publicou a Resolução CMN/BCB nº 16/2025, o primeiro marco regulatório específico para o modelo de BaaS no Brasil. Até então, as regras aplicáveis eram derivadas de outras regulamentações do sistema financeiro.

A resolução estabelece requisitos de governança, gestão de riscos, cibersegurança e transparência contratual entre provedores e empresas contratantes. Além disso, estabelece um capital mínimo de R$ 19,9 milhões para os provedores autorizados, elevando o nível de exigência do mercado e reforçando a importância de escolher parceiros com uma estrutura sólida de compliance. 

Os principais critérios para avaliar um provedor de BaaS incluem:

  • Licenciamento e conformidade regulatória da instituição responsável pela infraestrutura;

  • Processos de PLD (Prevenção à Lavagem de Dinheiro) e KYC (Conheça o seu Cliente);

  • Documentação e APIs bem estruturadas para facilitar a integração técnica;

  • Ambiente de sandbox para testar as integrações antes da entrada em produção;

  • SLAs de disponibilidade e liquidação para garantir previsibilidade à operação;

  • Capacidade de escalar o volume de transações conforme o crescimento do negócio;

  • Suporte técnico especializado com atendimento ágil para resolver incidentes;

  • Serviços adicionais, como câmbio e pagamentos internacionais, caso façam parte do roadmap da empresa.

Como escolher um parceiro de infraestrutura bancária?

O Banking as a Service acelera a oferta de serviços financeiros e reduz a complexidade técnica e regulatória. Por isso, a escolha do provedor é um fator decisivo para garantir segurança, escalabilidade e eficiência operacional.

A Transfero oferece uma solução de Banking as a Service que permite integrar contas em reais, Pix, transferências bancárias, pagamentos internacionais e operações de câmbio por meio de APIs, em uma única plataforma. 

Quer saber como essa solução pode centralizar operações financeiras, simplificar a gestão de pagamentos e acelerar o lançamento de novos serviços? Fale com nosso time comercial.