Stablecoin do real encontra a Morpho: uma curva de financiamento para o BRZ

Infraestrutura

BRZ, a stablecoin do real, conectada ao protocolo de empréstimos Morpho

Uma empresa brasileira de pagamentos que mantém em BRZ o saldo reservado para liquidação tinha uma escolha limitada: deixar o saldo parado ou vendê-lo por dólares e abrir mão da posição em reais.

Empresas estrangeiras com folha de pagamento no Brasil tinham o problema inverso, já que captar reais normalmente significava um NDF offshore ou uma conta em corretora local.

O BRZ, a stablecoin do real emitida pela Transfero, agora pode ser fornecido e tomado emprestado em dois mercados isolados da Morpho na Polygon, com curadoria da Feather. Os credores recebem uma taxa paga em reais pelos tomadores, que dão como garantia títulos públicos brasileiros tokenizados ou um token de dólar com rendimento.

O que o cofre da Morpho muda para a stablecoin do real?

O cofre (vault) é um pool de empréstimos em que o BRZ é o único ativo emprestado. A Feather anunciou os mercados em seu post de lançamento e atua como curadora na Morpho: define os limites de liquidação, monitora a solvência e opera a interface.

A Morpho fornece a camada base. Seus contratos são imutáveis, e cada mercado é isolado dos demais, com oráculo, garantia e LTV de liquidação próprios.

Dois ativos são aceitos como garantia no lançamento. O TESOURO, emitido pela Etherfuse desde novembro de 2024, representa Notas do Tesouro Nacional de curto prazo e cupom zero custodiadas na B3, normalmente com vencimento em 90 dias ou menos.

A Etherfuse divulga atestações mensais de reservas de 106%, e a RedStone publica o NAV (valor patrimonial líquido) do token a cada bloco.

O sfrxUSD é a versão com rendimento do frxUSD, da Frax. Ele é lastreado em produtos tokenizados de títulos do Tesouro americano, como o BlackRock BUIDL e o Superstate USTB, além de componentes que acrescentam risco de base e de protocolo.

O BRZ foi lançado em 2019 e mantém a paridade 1:1 com o real por meio de emissão e queima controladas. A emissão e o resgate diretos passam pela Transfero, com KYC/KYB, enquanto as transferências secundárias on-chain não exigem verificação de identidade.

O guia da Transfero sobre como funcionam as stablecoins lastreadas em moeda fiduciária detalha os modelos de lastro.

Por que tem sido difícil colocar a liquidez em reais para trabalhar on-chain?

O Brasil tem uma das taxas básicas de juros mais altas entre as grandes economias. O Copom fixou a Selic em 13,75% em 16 de setembro de 2026, segundo o Banco Central (BCB). Até este lançamento, nada dessa taxa chegava a uma carteira com reais.

Para empresas que mantêm BRZ, o saldo parado tem custo: a inflação o corrói enquanto ele aguarda a liquidação. Converter para USDT ou USDC interrompe essa perda, mas troca a exposição cambial de que o negócio de fato precisa.

O capital estrangeiro tem recorrido ao non-deliverable forward (NDF), um contrato a termo liquidado financeiramente e cotado contra o dólar. Como o real opera sob controles de capital, os NDFs se tornaram a rota padrão para acessar os juros brasileiros.

Eles exigem contraparte, margem e, em geral, um relacionamento bancário offshore, requisitos que tesourarias menores raramente cumprem.

A regulação acrescenta outra camada. A Resolução BCB nº 521, de 10 de novembro de 2025, em vigor desde fevereiro de 2026, trata transferências de ativos virtuais referenciados em moeda estrangeira, como as stablecoins de dólar, como operações de câmbio.

Qualquer estrutura que transforme garantia em dólar em reais gastos no Brasil precisa se enquadrar nessas regras. O panorama da Transfero sobre a regulação das prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs) no Brasil explica as regras que se aplicam a esses prestadores.

Se a sua operação já mantém BRZ como saldo para liquidação, veja como o BRZ conecta a liquidez em reais a protocolos DeFi antes de dimensionar uma posição de fornecimento.

Qual é a diferença entre os dois mercados de BRZ?

Os dois mercados usam o BRZ como ativo emprestado, então cada unidade fornecida disputa a mesma demanda de tomadores. O que muda é a garantia por trás de cada empréstimo.

Critério

TESOURO / BRZ

sfrxUSD / BRZ

 

Garantia

Títulos públicos brasileiros de curto prazo tokenizados

Token de dólar com rendimento

Casamento de moedas

As duas pontas em reais

Garantia em dólar, dívida em reais

Principal risco

Duration e crédito soberano do Brasil (Ba1/BB)

Câmbio USD/BRL

Oráculo

NAV da RedStone para o TESOURO

Chainlink BRL/USD para o BRZ

LTV de liquidação

Definido pela Feather para este mercado

Cerca de 86%

Usuário típico

Tesourarias em reais que financiam uma carteira de títulos

Empresas em dólar com custos no Brasil

O mercado de TESOURO é uma carteira com moedas casadas. À medida que os títulos acumulam rendimento, o fator de saúde (health factor) tende a subir, em vez de oscilar com o câmbio.

A Feather informou, no lançamento, rendimento da garantia perto de 12,67% contra taxa de empréstimo perto de 8,76%, e esse spread explica por que as posições alavancadas em loop apareceram primeiro. Um ciclo de cortes do Copom ou custos maiores para tomar BRZ estreitariam essa diferença.

O mercado de sfrxUSD é uma carteira com moedas cruzadas. A empresa mantém sua tesouraria em dólar, que a Feather cota em cerca de 4,10%, e toma reais para folha de pagamento, fornecedores ou liquidação a lojistas, sem uma operação de câmbio à vista.

Como a dívida está em reais, uma valorização do real empurra a posição para a liquidação mesmo sem nenhum evento de crédito. As equipes financeiras devem dimensioná-la ou protegê-la (hedge) como a posição cambial que ela é.

Como fica uma posição de fornecimento de BRZ em números?

Fornecer BRZ é o lado sem alavancagem do mercado. O credor deposita, recebe a taxa paga pelos tomadores, ponderada pela utilização, e não está sujeito a liquidação.

Não há período de bloqueio (lock-up), mas os saques dependem da liquidez livre. Com a meta de utilização de 90%, cerca de um décimo do valor fornecido fica disponível de imediato, e mais recursos são liberados à medida que os empréstimos são pagos.

O retorno tem um segundo componente. Uma campanha de incentivos da Merkl paga, a cada mês, 100% do CDI, a taxa de referência do mercado interbancário brasileiro, sobre os saldos de BRZ não emprestados. O plano é reduzir gradualmente esse percentual para cerca de 80% do CDI.

Considere, como ilustração, uma tesouraria que fornece R$ 1 milhão em BRZ, com o CDI a 14% e a utilização do mercado em 70%.

Os R$ 700 mil emprestados recebem a taxa orgânica paga pelos tomadores. Os R$ 300 mil que ficam parados recebem o CDI integral via Merkl, cerca de R$ 42 mil em termos anualizados.

Se o incentivo cair para 80% do CDI, essa parcela parada passa a render 11,2%, ou cerca de R$ 33,6 mil por ano. O retorno combinado varia com a utilização e com o CDI.

Manter o TESOURO diretamente captura um rendimento mais próximo da taxa soberana cheia, mas envolve a burocracia da emissão primária e um instrumento com duration. Fornecer BRZ abre mão de parte desse retorno em troca de permanecer em uma stablecoin.

Quais riscos ficam com credores e tomadores?

A taxa recebida por quem fornece BRZ é um direito sobre os juros pagos pelos tomadores, não uma obrigação da Transfero. Quem fornece, portanto, assume o risco da qualidade dos dois tipos de garantia.

Em um evento de estresse soberano no Brasil ou na B3, liquidações atrasadas podem deixar dívida incobrável (bad debt) no mercado.

A liquidez é a segunda restrição, já que uma utilização alta pode atrasar os saques.

O câmbio é a terceira: um credor de BRZ com base em dólar recebe retorno em reais e carrega exposição ao real, intencional ou não.

Fatores operacionais completam a lista. O resgate direto de BRZ envolve uma queima on-chain e a liquidação em reais fora da blockchain por canais autorizados, sujeita a KYC/KYB e a prazos de processamento.

A emissão e o resgate de TESOURO exigem KYC na Etherfuse e excluem algumas jurisdições, incluindo os Estados Unidos.

Os preços dependem dos oráculos da Chainlink e da RedStone. Os parâmetros conservadores da Feather reduzem a probabilidade de perdas, mas não eliminam esses riscos.

Este artigo descreve a mecânica dos mercados e não constitui recomendação de investimento.

Como a Transfero apoia empresas que mantêm BRZ

A Transfero emite e gerencia o BRZ, o ativo em que todas as posições nesses mercados são denominadas.

Para uma tesouraria, isso significa um canal direto entre reais em conta bancária e BRZ na Polygon, de modo que o capital possa entrar nos mercados da Morpho ou sair deles sem depender apenas da liquidez de DEXs.

  • Emissão e resgate diretos de BRZ após KYC/KYB, pelo programa da stablecoin BRZ

  • BRZ disponível em mais de 16 redes blockchain, incluindo a Polygon, onde funcionam os mercados da Morpho

  • Uma API que conecta os trilhos bancários brasileiros às redes blockchain para fluxos de entrada e saída (on-ramp/off-ramp)

  • Suporte técnico e operacional para equipes que movimentam BRZ entre exchanges, carteiras e protocolos

Perguntas a fazer antes de fornecer ou tomar BRZ emprestado

  • Sua tesouraria mede resultados em reais ou em dólares, e a posição está alinhada a essa moeda base?

  • Que parte do saldo você pode precisar sacar em pouco tempo, considerando que as saídas dependem da utilização?

  • Quanto risco de crédito soberano brasileiro você aceita assumir por meio da garantia?

  • Em um empréstimo com moedas cruzadas, qual variação do USD/BRL leva sua posição ao limite de liquidação?

  • Quem na sua equipe monitora o fator de saúde, o spread ou o câmbio, e com que frequência?

  • Seus processos de KYC/KYB e de checagem de jurisdição cobrem a emissão e o resgate diretos com cada emissor?

  • Como a Resolução BCB nº 521 se aplica a fluxos que transformam garantia em dólar em reais gastos no Brasil?

Fale com o time da Transfero sobre emissão, resgate e movimentação de BRZ para a sua tesouraria, e mapeamos o fluxo com você → transfero.com/pt/contato

Perguntas frequentes

O que é o BRZ?

O BRZ é a stablecoin do real emitida pela Transfero desde 2019. Mantém paridade 1:1 com o real por meio de emissão e queima controladas e funciona em mais de 16 redes blockchain. Empresas o usam em pagamentos, liquidação, negociação e acesso a protocolos DeFi, como os mercados da Morpho na Polygon.

Quem paga a taxa recebida por quem fornece BRZ?

Os tomadores. A taxa orgânica vem dos juros dos empréstimos de BRZ lastreados em TESOURO ou sfrxUSD, ponderados pela utilização do mercado. Além disso, uma campanha da Merkl paga um percentual do CDI sobre os saldos não emprestados. A taxa não é uma obrigação da Transfero e varia conforme a demanda.

Quem fornece BRZ pode ser liquidado?

Não. A liquidação se aplica apenas a tomadores cuja garantia fique abaixo do LTV de liquidação. Quem fornece corre outros riscos: saques limitados pela utilização, possível dívida incobrável se a garantia for liquidada com atraso em um evento de estresse e exposição cambial para credores cuja moeda base é o dólar.

Empresas precisam de KYC para usar os mercados de BRZ na Morpho?

Não para a atividade secundária: transferências de BRZ e o uso do TESOURO como garantia não exigem permissão (são permissionless). A emissão e o resgate diretos de BRZ exigem KYC/KYB com a Transfero. Emitir ou resgatar TESOURO exige KYC com a Etherfuse, que restringe algumas jurisdições, incluindo os Estados Unidos.


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