As stablecoins são ativos digitais desenvolvidos para manter um valor estável, em geral por serem atreladas a uma moeda fiduciária, como o dólar americano, o euro ou o real. Essa característica faz com que sejam amplamente usadas em pagamentos, transferências internacionais, liquidação financeira, negociação de ativos e outras aplicações baseadas em blockchain.
Embora sigam o mesmo princípio básico, nem todas as stablecoins têm a mesma finalidade. A moeda de referência, o emissor, a liquidez e os casos de uso variam de um ativo para outro, o que torna cada um mais adequado a determinados mercados e operações.
É o caso de USDT, USDC, EURC e BRZ. Enquanto USDT e USDC são atrelados ao dólar americano, o EURC representa o euro e o BRZ mantém paridade com o real, atendendo a mercados e fluxos financeiros diferentes.
Neste artigo, você vai entender as principais diferenças entre essas stablecoins, suas aplicações mais comuns e os critérios que empresas e usuários podem considerar ao escolher o ativo adequado para cada situação.
USDT: liquidez global para trading e pagamentos
O USDT (Tether) é a stablecoin com maior volume de negociação e liquidez do mercado. Segundo a Transak, com dados da DeFiLlama, o token representava cerca de 59% da oferta global de stablecoins em junho de 2026, com aproximadamente US$ 187 bilhões em circulação. Atrelado ao dólar americano, ele busca manter o valor de 1 USDT = US$ 1.
Sua ampla adoção faz dele uma escolha comum para trading, pagamentos internacionais, transferências entre exchanges e gestão de liquidez.
Como o USDT está disponível em um grande número de plataformas e redes blockchain, ele se tornou uma das principais stablecoins para movimentar valor no ecossistema de ativos digitais.
USDC: compliance e infraestrutura para empresas
O USDC (USD Coin) também é atrelado ao dólar americano, mas ganhou espaço pelo foco em transparência e conformidade regulatória. A Circle, emissora do token, publica relatórios mensais de reservas com atestação de uma firma de auditoria e mantém reservas lastreadas em caixa e em títulos de curto prazo do Tesouro americano.
Assim como o USDT, o USDC mantém a paridade de 1 USDC = US$ 1. É amplamente usado em pagamentos corporativos, liquidação financeira, infraestrutura para empresas e protocolos DeFi que priorizam a auditabilidade.
EURC: a stablecoin para operações em euro
O EURC é uma stablecoin atrelada ao euro, que busca manter o valor de 1 EURC = € 1. Assim como o USDC, foi desenvolvido pela Circle para representar uma moeda fiduciária em redes blockchain, permitindo movimentar euros com mais eficiência dentro do ecossistema de ativos digitais.
O token é usado em pagamentos internacionais, liquidação financeira, comércio internacional e aplicações de finanças descentralizadas (DeFi). Para empresas que atuam na Europa ou fazem operações denominadas em euro, o EURC é uma forma de movimentar recursos em blockchain mantendo a exposição ao euro.
BRZ: a stablecoin atrelada ao real
O BRZ é uma stablecoin desenvolvida pela Transfero em 2019 para representar o real em redes blockchain, mantendo o valor de 1 BRZ = R$ 1. Como uma das primeiras stablecoins atreladas ao real, permite que empresas e usuários movimentem reais de forma digital dentro do ecossistema de ativos digitais.
Diferentemente das stablecoins atreladas ao dólar ou ao euro, o BRZ foi pensado para fluxos financeiros denominados em reais, o que reduz a necessidade de operações de câmbio para empresas que atuam no mercado brasileiro.
O token está disponível em várias redes blockchain e pode ser usado em pagamentos, liquidação financeira, negociação de ativos digitais e aplicações de finanças descentralizadas (DeFi).
Qual stablecoin escolher?
A stablecoin adequada depende principalmente da moeda usada pela empresa, dos mercados em que ela atua e dos requisitos de cada fluxo financeiro.
O USDT é amplamente usado por empresas e usuários que buscam alta liquidez, ampla disponibilidade em exchanges e flexibilidade para negociar ativos digitais ou fazer transferências internacionais.
O USDC costuma ser adotado por empresas que priorizam conformidade regulatória, integração com a infraestrutura financeira e pagamentos corporativos.
O EURC foi pensado para operações denominadas em euro, o que o torna uma opção para empresas que atendem clientes ou fornecedores na União Europeia ou movimentam recursos em euro.
O BRZ foi pensado para operações em reais e permite que empresas usem blockchain em pagamentos, liquidação financeira e negociação de ativos digitais mantendo a exposição ao real.
Comparativo das principais stablecoins
Stablecoin | Moeda de referência | Uso principal | Outros usos |
USDT | Dólar americano | Liquidez global | Trading, pagamentos e negociação de ativos |
USDC | Dólar americano | Infraestrutura financeira e pagamentos corporativos | Pagamentos, DeFi e liquidação institucional |
EURC | Euro | Operações em euro | Pagamentos internacionais, comércio europeu e DeFi |
BRZ | Real | Operações em reais | Pagamentos, liquidação financeira, negociação de ativos e integração entre o real e a blockchain |
Uso combinado de várias stablecoins
As stablecoins não são, necessariamente, excludentes. Empresas que atuam em diferentes mercados costumam usar mais de uma stablecoin para atender aos requisitos de cada fluxo financeiro.
Uma empresa brasileira, por exemplo, pode usar o BRZ em operações em reais, o USDC em pagamentos em dólar, o EURC em operações denominadas em euro e o USDT quando a prioridade é liquidez em exchanges.
A combinação adequada depende da moeda usada em cada operação, dos mercados atendidos e da infraestrutura financeira que dá suporte ao negócio.
Como escolher a stablecoin adequada?
USDT, USDC, EURC e BRZ têm o mesmo objetivo fundamental: oferecer um ativo digital estável por meio da tecnologia blockchain. As principais diferenças estão na moeda de referência e nos casos de uso para os quais foram desenvolvidos.
Ao escolher uma stablecoin, as empresas devem considerar a moeda usada em suas operações, os mercados que atendem, as necessidades de liquidez e a infraestrutura financeira envolvida.
Em muitos casos, usar várias stablecoins pode ser a estratégia mais eficiente para atender a diferentes tipos de fluxo financeiro.
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