Empresas que fazem pagamentos internacionais costumam lidar com prazos longos de liquidação, custos pouco previsíveis e pouca visibilidade sobre o status das transferências. Esses fatores podem afetar a relação com fornecedores, as operações de comércio exterior e os pagamentos a colaboradores e parceiros em outros países.
Grande parte dessas limitações está ligada ao modelo tradicional de transferências internacionais, que depende da rede SWIFT para conectar instituições financeiras por meio de bancos correspondentes.
Nos últimos anos, o desenvolvimento de infraestruturas financeiras baseadas em blockchain trouxe uma nova alternativa. Ao reduzir o número de intermediários envolvidos na transação, esse modelo pode acelerar a liquidação, aumentar a transparência e tornar os custos mais previsíveis.
Neste artigo, você vai entender como funcionam o SWIFT e a blockchain, quais são as principais diferenças entre essas infraestruturas e quais fatores considerar ao escolher a solução adequada para cada pagamento internacional.
Como funciona o SWIFT?
O SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication) é uma rede de mensageria usada por instituições financeiras para trocar instruções de pagamento. Em vez de movimentar recursos diretamente, ele permite que bancos de diferentes países se comuniquem para viabilizar transferências internacionais.
Na maioria dos casos, a transação passa por uma cadeia de bancos correspondentes até chegar ao beneficiário. Ao longo do caminho, cada instituição pode fazer verificações, cobrar tarifas e acrescentar tempo à liquidação.
As limitações do modelo tradicional
Como uma transferência pode envolver vários intermediários, pagamentos via SWIFT podem levar de dois a cinco dias úteis para serem concluídos. Além disso, parte das tarifas pode ser descontada ao longo do caminho, o que dificulta prever o custo total antes da conclusão do pagamento.
Para empresas que movimentam recursos entre países, essa combinação de prazos de liquidação mais longos, custos menos previsíveis e pouca visibilidade sobre o status da transferência pode afetar o fluxo de caixa e reduzir a eficiência da gestão financeira.
Como funciona a blockchain?
Em uma infraestrutura baseada em blockchain, os pagamentos internacionais são liquidados por meio de redes distribuídas, o que reduz a dependência de bancos correspondentes. Em geral, o processo acontece em três etapas:
1. Conversão dos recursos em stablecoin
O valor do pagamento é convertido em uma stablecoin, um ativo digital atrelado a uma moeda fiduciária, como o dólar americano. Isso reduz a volatilidade em comparação com outras criptomoedas.
2. Transferência da stablecoin pela blockchain
A stablecoin é transferida pela rede blockchain até a entidade responsável pela liquidação no país de destino.
3. Liquidação em moeda local
Os recursos são convertidos para a moeda local e enviados ao beneficiário pela infraestrutura de pagamentos disponível no país de destino, como o Pix, no Brasil.
Ao reduzir o número de intermediários envolvidos, esse modelo pode acelerar a liquidação e tornar os custos mais previsíveis.
Principais vantagens
Liquidação mais rápida: as transferências podem ser concluídas em minutos, com menos tempo de espera do que nos métodos tradicionais.
Maior previsibilidade de custos: com menos intermediários, as tarifas tendem a ser mais transparentes e, em muitos corredores de pagamento, mais competitivas.
Rastreabilidade: as transações ficam registradas na blockchain, o que facilita a conciliação financeira e a auditoria.
Disponibilidade 24/7: as redes blockchain operam continuamente, sem depender do horário de funcionamento das instituições financeiras.
Limitações e pontos de atenção
A infraestrutura baseada em blockchain não substitui o SWIFT em todas as situações. Sua adoção depende de fatores como disponibilidade de liquidez, parceiros locais de liquidação e cobertura dos corredores de pagamento de que a empresa precisa.
Também é importante operar com instituições devidamente autorizadas. No Brasil, o Marco Legal dos Criptoativos e a regulamentação do Banco Central (BCB) estabelecem requisitos para empresas que prestam serviços de ativos virtuais. Trabalhar com parceiros que cumprem esse arcabouço regulatório ajuda a reduzir riscos e aumentar a segurança operacional.
SWIFT x blockchain: como escolher
A escolha entre SWIFT e blockchain depende das necessidades da empresa e das características de cada pagamento internacional. Entre os principais fatores a considerar estão:
urgência da liquidação;
disponibilidade de liquidez e de parceiros locais nos corredores de pagamento relevantes;
custos e previsibilidade das tarifas;
necessidade de rastreabilidade e visibilidade sobre as transações;
requisitos regulatórios e de compliance;
volume e frequência das transferências.
Por isso, uma infraestrutura baseada em blockchain pode ser uma boa opção para empresas que fazem pagamentos internacionais com frequência ou que querem reduzir o prazo de liquidação, aumentar a previsibilidade de custos e simplificar pagamentos entre países.
Entre os casos de uso mais comuns estão pagamentos a fornecedores internacionais, pagamentos a colaboradores e parceiros no exterior, fintechs, empresas de pagamento e negócios globais que movimentam recursos em vários mercados.
Isso não significa que todo pagamento internacional deva usar esse modelo. Em alguns corredores, o SWIFT continua sendo a opção mais adequada, especialmente quando ainda não há liquidez ou parceiros locais suficientes para liquidar os recursos na moeda de destino.
Não existe uma abordagem única que funcione para todos os pagamentos internacionais. SWIFT e blockchain têm características diferentes e podem ser usados em conjunto, de acordo com os objetivos do negócio e os mercados envolvidos.
O que considerar na escolha da solução
Muitas empresas combinam os dois modelos de acordo com as características de cada pagamento. Enquanto o SWIFT oferece ampla cobertura global, a blockchain pode aumentar a eficiência em operações que exigem liquidação mais rápida e maior previsibilidade de custos.
Em muitos casos, a melhor estratégia não é escolher exclusivamente entre SWIFT e blockchain, mas usar cada modelo de acordo com o tipo de pagamento, os países envolvidos e os objetivos da empresa.
Ao avaliar um provedor, considere fatores como cobertura de corredores de pagamento, disponibilidade de liquidez, conformidade regulatória, capacidade de integração, segurança e suporte à expansão internacional. Esses fatores ajudam a construir uma estratégia de pagamentos mais eficiente e escalável, preparada para acompanhar o crescimento em diferentes mercados.
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