Remessa internacional para empresas: como funciona, quanto custa e quanto tempo leva

Pagamentos

Fluxo de uma remessa internacional de empresa, do fechamento de câmbio ao crédito no exterior

Um escritório de São Paulo envia todo mês recursos para uma conta no exterior. A remessa sai pelo banco de sempre, a cotação chega por telefone e ninguém sabe ao certo quanto foi pago de spread. O prazo de crédito muda a cada operação.

Numa remessa internacional de pessoa jurídica, a empresa instrui a remessa, fecha o câmbio com uma instituição autorizada e o valor é liquidado no exterior no prazo combinado. O custo total soma spread, tarifas e IOF (3,5% nas saídas em geral; 1,1% em investimento no exterior), e é ele que deve ser comparado entre fornecedores.

O que é uma remessa internacional de pessoa jurídica?

É o envio ou o recebimento de recursos entre uma empresa no Brasil e uma conta no exterior, com conversão de moeda. Pagamento de fornecedor, de serviço, aporte em empresa no exterior e recebimento de clientes estrangeiros entram nessa categoria.

Toda remessa passa pelo mercado de câmbio. A Lei nº 14.286, de 29 de dezembro de 2021, em vigor desde 31 de dezembro de 2022, organizou as regras atuais. A Resolução BCB nº 277, de 31 de dezembro de 2022, regulamenta as operações e a entrada e saída de valores.

A remessa é sempre do titular dos recursos. Um escritório pode organizar a instrução para um cliente, mas não remete recursos de terceiros em nome próprio.

Como funciona uma remessa, passo a passo?

Quatro etapas levam o dinheiro da conta no Brasil até o crédito no exterior. Cada uma tem um responsável e um ponto de atenção.

1. Instrução e documentos

A empresa define valor, moeda, beneficiário e finalidade. Junto vai o documento que sustenta a operação, como a invoice, o contrato de serviço ou os documentos societários do destino.

2. Contrato e fechamento de câmbio

A instituição autorizada cota a taxa e a empresa aceita. O fechamento registra a operação com a natureza correta, que define o IOF e a documentação exigida.

3. Liquidação

A empresa entrega os reais e a instituição entrega a moeda estrangeira na data combinada no fechamento.

4. Crédito no exterior

O valor segue até o banco do beneficiário, às vezes passando por um banco intermediário. O comprovante de envio permite acompanhar o pagamento até a confirmação.

Quanto custa uma remessa internacional?

O custo total tem três partes. Comparar só a taxa de câmbio anunciada esconde parte delas.

Spread

É a diferença entre a taxa de referência do mercado e a taxa aplicada à empresa. Costuma ser o maior custo e o menos visível, porque já vem embutido na cotação.

Tarifas e banco intermediário

A instituição cobra uma tarifa pela remessa, e os bancos no caminho podem cobrar a sua. Os códigos OUR, SHA e BEN definem se quem paga é o remetente, os dois lados ou o beneficiário.

IOF

O Decreto nº 6.306/2007, art. 15-B, na redação do Decreto nº 12.499/2025, fixa 3,5% para as saídas em geral, inclusive pagamento de serviços, e 1,1% para investimento no exterior.

O pagamento de importação de bens é isento, pelo art. 16, I. Na entrada de recursos, a alíquota é de 0,38%, e a receita de exportação paga zero.

Veja um exemplo com valores hipotéticos. Uma empresa converte R$ 1 milhão em dólares para pagar um serviço no exterior e compara duas propostas.

Item

Proposta A (banco)

Proposta B (parceiro)

Spread

2,0%: R$ 20 mil

0,8%: R$ 8 mil

Tarifa

R$ 300

R$ 100

IOF (3,5%)

R$ 35 mil

R$ 35 mil

Custo total

R$ 55.300

R$ 43.100

O IOF é o mesmo nas duas propostas, porque depende da natureza da operação, não do fornecedor. A diferença de R$ 12.200 está toda no spread e na tarifa, e só aparece quando o custo total é comparado.

Quer comparar o custo da sua próxima remessa? Fale com o time.

Quanto tempo leva?

A data de liquidação é combinada no fechamento do câmbio. Depois dela, o tempo até o crédito depende da rota, dos bancos intermediários, do fuso horário e da documentação.

Dados bancários completos e finalidade bem classificada evitam consultas no caminho. Peça ao fornecedor o prazo total, do fechamento até o crédito, para cada tipo de remessa que a empresa faz. Em remessas recorrentes, registrar o prazo real de cada operação dá base para negociar com o fornecedor.

Quais documentos a empresa precisa?

Antes da primeira remessa, a empresa passa pela análise cadastral da instituição. Contrato social, dados dos sócios e informações financeiras costumam fazer parte dessa etapa.

Em cada operação, o documento depende da finalidade. Pagamento de mercadoria pede invoice, serviço pede contrato ou fatura, e aporte no exterior pede os documentos da empresa de destino.

Banco, corretora ou stablecoin: qual escolher?

As três rotas levam ao mesmo resultado, o crédito no exterior. Elas diferem em canal, horário e regras específicas.

Critério

Banco

Corretora de câmbio

Stablecoin

Canal

Gerente ou internet banking

Mesa ou plataforma de câmbio

Transferência on-chain com conversão

Horário

Dias úteis, horário bancário

Dias úteis, horário de câmbio

Rede disponível 24/7

Regra aplicável

Resolução 277

Resolução 277

Resolução 277, art. 76-A, incluído pela Resolução 521

Ponto de atenção

Custo embutido na cotação

Comparar custo total

Regras próprias para ativos virtuais

Desde 2 de fevereiro de 2026, a Resolução BCB nº 521, de 10 de novembro de 2025, trata pagamento internacional com ativo virtual, transferências de e para carteira autocustodiada e compra, venda ou troca de stablecoin como operações do mercado de câmbio.

A rota com stablecoin segue, portanto, as mesmas lógicas de titularidade, finalidade e documentação. A análise sobre stablecoins em pagamentos internacionais mostra como ela funciona, e o guia sobre como escolher um provedor de pagamentos internacionais ajuda a comparar as opções.

Como a Transfero faz remessas para escritórios e empresas?

Os pagamentos internacionais da Transfero rodam na Transfero Payments Network (TPN), camada que conecta trilhos bancários, redes blockchain e provedores de liquidez. A plataforma processou mais de 9,8 milhões de transações em 2025.

A página de licenças da Transfero lista, entre outras, a Transfero Instituição de Pagamento Ltda., autorizada pelo Banco Central a operar como instituição de pagamento.

Perguntas para fazer antes da próxima remessa

  • A remessa está em nome do titular dos recursos?

  • A finalidade está classificada corretamente para o IOF?

  • A cotação mostra o custo total em reais, com spread, tarifas e IOF?

  • Quem paga as tarifas dos bancos intermediários: OUR, SHA ou BEN?

  • O fornecedor informa o prazo total, do fechamento ao crédito?

  • Se a rota for stablecoin, o fornecedor explica como segue a Resolução 521?

Fale com a Transfero sobre remessas internacionais para empresas.

Perguntas frequentes

Existe limite para remessa de empresa?

As regras de câmbio não fixam um teto geral por empresa. Cada instituição avalia se a operação é compatível com a atividade e a capacidade financeira do cliente. Há regras específicas, como o art. 29 da Resolução 521, que limita a US$ 100 mil por operação a SPSAV cuja contraparte não seja instituição autorizada a operar câmbio.

Toda remessa precisa de contrato de câmbio?

Toda remessa é uma operação do mercado de câmbio. Com banco ou corretora, a empresa fecha o câmbio diretamente com a instituição. Com um prestador de eFX, a Resolução 277, do art. 49 em diante, regula como o prestador conduz o pagamento internacional por conta do cliente.

Um escritório pode remeter em nome do cliente?

Não em nome próprio. A remessa é sempre do titular dos recursos, e a operação de câmbio sai no nome dele. O escritório pode organizar a instrução, reunir os documentos e acompanhar a operação para o cliente.

Remessa com stablecoin é permitida?

Sim, como operação do mercado de câmbio. Desde 2 de fevereiro de 2026, a Resolução BCB 521 incluiu o art. 76-A na Resolução 277, que trata pagamentos internacionais com ativo virtual e operações com stablecoin dentro das regras de câmbio. A rota tem regras próprias, que o fornecedor deve explicar antes da operação.

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