Empresas que operam em diferentes mercados podem precisar movimentar fundos em moedas tradicionais e ativos digitais como parte da mesma transação. Por exemplo, uma empresa pode receber fundos em reais brasileiros, convertê-los em dólares americanos e usar uma stablecoin durante uma etapa do processo de liquidação.
As moedas tradicionais, como BRL, USD e EUR, são usadas no sistema financeiro convencional. As stablecoins, por outro lado, são ativos digitais projetados para acompanhar o valor de uma moeda de referência e podem ser transferidas por redes blockchain.
Por exemplo, o BRZ acompanha o valor do real brasileiro. O USDC e o USDT são lastreados no dólar americano, enquanto o EURC acompanha o euro.
Como esses ativos possuem características diferentes, cada um pode ser usado em uma etapa específica de uma transação. Isso torna possível conectar pagamentos, câmbio, liquidação e blockchain dentro da mesma infraestrutura financeira.
Moedas tradicionais e stablecoins servem a propósitos diferentes
A principal diferença entre esses ativos é como eles são utilizados.
As moedas tradicionais fazem parte do sistema financeiro convencional e podem ser usadas para pagamentos, cobranças e transferências. As stablecoins representam moedas fiduciárias em formato digital e podem ser transferidas por redes blockchain.
Na prática, uma empresa poderia usar:
Moeda tradicional → pagamentos e cobranças dentro do sistema financeiro local
Stablecoin → fluxos específicos para movimentação e liquidação de fundos entre empresas e mercados
Isso significa que uma transação não precisa usar o mesmo tipo de ativo em todas as etapas. Cada um pode servir a um propósito diferente dentro do fluxo geral.
Como os dois tipos de ativos podem funcionar juntos?
Imagine uma empresa brasileira que recebe BRL de seus clientes e precisa pagar um fornecedor em outro país.
A transação pode começar no sistema financeiro tradicional:
Cliente → BRL → empresa
A empresa pode então converter os fundos e usar uma stablecoin durante uma etapa de liquidação:
BRL → conversão → stablecoin → liquidação internacional
No mercado de destino, os fundos podem ser convertidos novamente em uma moeda tradicional:
Stablecoin → conversão → USD ou EUR → fornecedor
Nesse exemplo, cada ativo é usado em um ponto diferente da transação. O real brasileiro é usado para a cobrança inicial, a stablecoin participa da liquidação e o dólar ou o euro podem ser usados para o pagamento final.
O fluxo também pode funcionar na direção oposta. Uma empresa pode receber fundos em uma stablecoin, convertê-los em uma moeda tradicional e usar o valor resultante para fazer um pagamento.
Onde essa combinação pode ser usada?
Conectar diferentes tipos de ativos pode ser útil em diversos modelos de negócios.
Pagamentos internacionais
Uma empresa pode reter e movimentar BRL, USD ou EUR através de suas contas e usar uma stablecoin durante uma etapa específica de liquidação entre diferentes mercados.
Isso pode ser relevante para empresas que precisam conectar sistemas financeiros entre países e movimentar fundos entre eles.
Exchanges e plataformas de ativos digitais
Uma exchange pode usar moedas tradicionais para depósitos e saques e stablecoins para negociação ou fluxos específicos de liquidação.
Por exemplo, um usuário pode depositar BRL, comprar ativos digitais, concluir transações e, posteriormente, converter os fundos de volta para uma moeda tradicional antes de fazer um saque.
Fintechs
Fintechs que operam com múltiplas moedas podem usar sistemas financeiros tradicionais para pagamentos e cobranças, enquanto usam stablecoins para fluxos específicos entre mercados.
Essa combinação permite que diferentes etapas sejam estruturadas de acordo com as necessidades do produto e da operação.
Empresas globais
Uma empresa que opera em vários países pode receber fundos em uma moeda, convertê-los em outra e usar uma stablecoin em uma etapa intermediária antes de efetuar um pagamento.
Isso pode ajudar a conectar diferentes moedas, mercados e sistemas financeiros dentro do mesmo processo.
O que você deve considerar ao escolher os ativos?
A combinação de moedas tradicionais e stablecoins depende das características de cada transação. Antes de decidir quais ativos usar, é importante considerar:
Moedas envolvidas: quais moedas entram e saem do fluxo;
Mercados: onde os participantes estão localizados;
Propósito: se o ativo será usado para pagamento, conversão, negociação ou liquidação;
Liquidez: disponibilidade dos recursos necessários em cada moeda ou ativo;
Câmbio: como será realizada a conversão entre as moedas;
Tecnologia: a capacidade de conectar sistemas financeiros e redes blockchain;
Conformidade (Compliance): as regras e controles aplicáveis a cada etapa;
Custo e velocidade: quanto tempo e recursos são necessários para concluir a transação.
Esses critérios ajudam a determinar quais ativos e canais financeiros são mais apropriados para cada etapa.
Infraestrutura integrada conecta diferentes sistemas
Combinar moedas tradicionais e stablecoins exige mais do que o acesso aos próprios ativos. Os sistemas responsáveis por cada etapa também precisam estar conectados.
Uma infraestrutura financeira integrada pode unir bancos, provedores de liquidez, serviços de câmbio, sistemas de pagamento e redes blockchain.
Com esses componentes conectados, uma empresa pode estruturar diferentes etapas de uma transação sem precisar gerenciar cada sistema separadamente.
Por exemplo, uma transação pode começar com uma cobrança em BRL, passar por uma conversão para USD, usar uma stablecoin durante uma etapa de liquidação e terminar com um pagamento em moeda tradicional no país de destino.
Nesse cenário, a infraestrutura atua como uma camada que conecta diferentes ambientes e permite que os fundos passem de uma etapa para a próxima.
A combinação certa depende de cada operação
Moedas tradicionais e stablecoins não precisam necessariamente competir entre si. Dependendo do mercado, da moeda, do propósito e da estrutura financeira, elas podem desempenhar papéis diferentes dentro da mesma transação.
Enquanto o BRL, USD e EUR continuam sendo usados nos sistemas financeiros tradicionais, as stablecoins podem participar de fluxos específicos baseados em blockchain para movimentação e liquidação de fundos.
Para empresas que trabalham com pagamentos internacionais, câmbio, ativos digitais ou operações em diferentes mercados, a combinação desses recursos pode expandir as formas de estruturar seus processos financeiros.
A decisão, portanto, não precisa ser entre uma moeda tradicional ou uma stablecoin. O mais importante é entender qual ativo e canal financeiro fazem mais sentido em cada etapa da transação.
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