Custódia, liquidez e compliance: como funciona a infraestrutura por trás do CaaS

CaaS
Infraestrutura

Tela de desktop mostrando um código em alguma linguagem de programação para representar o backend de uma empresa que oferece serviço de crypto as a service

O Crypto as a Service (CaaS) permite que empresas ofereçam serviços com ativos digitais, como negociação, custódia e movimentação de criptoativos, sem precisar desenvolver toda a infraestrutura necessária para isso.

Para que essas operações aconteçam com segurança, eficiência e conformidade regulatória, três elementos são fundamentais: custódia, liquidez e compliance. Neste conteúdo, você vai entender o papel de cada uma e como elas se conectam na infraestrutura de um provedor de CaaS.

Custódia

A custódia é responsável por armazenar e proteger as chaves privadas que dão acesso aos ativos digitais. Sem uma estrutura robusta de custódia, toda a operação fica exposta a riscos como perda de acesso, roubo de ativos e falhas de segurança.

Carteiras quentes e frias

Provedores de CaaS costumam combinar carteiras quentes, conectadas à internet para operações do dia a dia, com carteiras frias, mantidas offline para armazenar reservas de longo prazo. Essa combinação reduz a exposição a ataques sem comprometer a agilidade das transações.

Tecnologia multi-party computation (MPC)

A tecnologia MPC distribui o controle de uma chave privada entre múltiplas partes, reduz a dependência de um único ponto de falha. Nenhum agente isolado consegue autorizar uma transação sozinho, o que reforça a segurança operacional.

Além dos mecanismos tecnológicos, a custódia também envolve requisitos regulatórios. Segundo a Resolução BCB nº 520, empresas autorizadas a atuar como custodiantes de ativos virtuais no Brasil devem seguir regras de segregação patrimonial entre recursos próprios e recursos de clientes.

Uma infraestrutura de custódia madura também prevê ambientes com diferentes níveis de proteção conforme o volume e a finalidade dos ativos, além de mecanismos de recuperação para incidentes como perda de acesso ou falha técnica.

Liquidez

Liquidez é a capacidade de comprar, vender ou movimentar ativos digitais rapidamente, sem impactar significativamente seu preço. Para empresas que dependem de CaaS, isso significa executar ordens com rapidez e menor impacto sobre o preço dos ativos, mesmo em operações de maior volume.

Para isso, provedores de CaaS costumam agregar liquidez de múltiplas exchanges e formadores de mercado em uma única infraestrutura. Essa abordagem reduz a dependência de uma única contraparte e amplia as possibilidades de execução.

Roteamento inteligente de ordens

O roteamento inteligente direciona cada operação para a fonte de liquidez mais vantajosa no momento da execução. Esse mecanismo ajuda a evitar deslizamento de preço e melhora a eficiência das negociações realizadas em nome do cliente final.

Stablecoins como camada de liquidação

Stablecoins pareadas a moedas fiduciárias, como USDT, USDC, EURC e BRZ, costumam fazer parte dessa infraestrutura. Elas facilitam a liquidação de operações e a movimentação de recursos entre diferentes mercados, reduzindo a exposição à volatilidade de outros ativos digitais.

Compliance

O compliance reúne processos e controles que garantem que a operação esteja em conformidade com a regulamentação aplicável, incluindo medidas de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.

No Brasil, o marco regulatório para prestadores de serviços de ativos virtuais passou a exigir autorização prévia para determinadas atividades, além de estabelecer responsabilidades específicas para empresas que atuam com intermediação e custódia. Ao contratar um provedor de CaaS já adequado a essas exigências, as empresas reduzem parte da complexidade regulatória envolvida na operação.

Processos de KYC e AML

Processos de KYC (Know Your Customer) e AML (Anti-Money Laundering) verificam a identidade dos usuários e monitoram transações em busca de padrões suspeitos. Essas rotinas rodam de forma contínua, não apenas no momento do cadastro.

Além da identificação dos usuários, essa estrutura inclui monitoramento contínuo de riscos, registro das operações e rastreabilidade das transações, facilitando auditorias e o atendimento às exigências regulatórias.

Como essas camadas se conectam

Custódia, liquidez e compliance atuam de forma integrada. A execução de uma operação depende da disponibilidade de liquidez, passa pelas verificações regulatórias e termina com a movimentação segura dos ativos sob custódia.

Empresas que tentam construir essas três camadas internamente enfrentam custos altos de tecnologia, segurança e adequação regulatória. Um provedor de CaaS entrega essa estrutura pronta, permitindo que o cliente foque no próprio produto.

Quem se beneficia dessa infraestrutura

Exchanges, fintechs, carteiras digitais, plataformas de pagamento e instituições financeiras utilizam esse modelo para lançar ou expandir serviços com ativos digitais sem precisar desenvolver internamente toda a infraestrutura de custódia, liquidez e compliance. Dessa forma, conseguem reduzir o tempo de implementação, simplificar a operação e concentrar esforços no desenvolvimento de seus próprios produtos.

CaaS como base para escalar operações com ativos digitais

Custódia, liquidez e compliance são os pilares que sustentam qualquer operação com ativos digitais em escala. Quando essas capacidades já fazem parte da infraestrutura de um provedor de CaaS, empresas conseguem acelerar o lançamento de novos produtos, reduzir a complexidade operacional e atender aos requisitos regulatórios com mais eficiência.

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