Empresas que desejam oferecer serviços financeiros, como contas, pagamentos e transferências, precisam decidir como construir e operar essa infraestrutura.
Em geral, existem duas opções: construir uma infraestrutura interna e obter as licenças necessárias ou trabalhar com um provedor de Banking as a Service (BaaS).
Construir tudo internamente dá à empresa maior controle sobre a operação, mas exige investimentos em tecnologia, profissionais especializados, processos e requisitos regulatórios. O BaaS, por outro lado, permite que as empresas usem uma infraestrutura existente e a conectem aos seus produtos por meio de APIs.
A melhor opção depende do modelo de negócio e dos objetivos de cada empresa. Para empresas que desejam oferecer serviços financeiros sem precisar construir toda a infraestrutura do zero, o BaaS pode reduzir o tempo e o investimento necessários para começar.
O Que Envolve a Construção de uma Infraestrutura Interna?
Construir uma operação financeira do zero exige muito mais do que desenvolver um sistema.
A empresa precisa obter as autorizações necessárias do Banco Central do Brasil, desenvolver a tecnologia utilizada por seus serviços financeiros, conectar seus sistemas a outros participantes do mercado e criar processos para cumprir as regulamentações aplicáveis.
O trabalho não termina quando a operação entra em funcionamento. As empresas devem manter equipes especializadas, controles internos, gerenciamento de riscos, processos de conformidade e mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro.
Na prática, construir uma infraestrutura própria significa assumir a responsabilidade por diversas áreas distintas da operação financeira.
Os Principais Desafios de Construir uma Infraestrutura Interna
1. Tempo e Complexidade Regulatória
Operar de forma independente no Brasil exige o cumprimento das regras aplicáveis à atividade e a obtenção das autorizações necessárias.
Esse processo pode envolver mudanças na estrutura da empresa, criação de políticas e controles, contratação de profissionais especializados e preparação de documentação.
E a responsabilidade não termina com a concessão da autorização. A empresa deve continuar cumprindo as regulamentações e mantendo seus controles ao longo de toda a operação.
2. Investimento em Tecnologia
Uma operação financeira precisa conectar diferentes sistemas e serviços. Dependendo do que a empresa planeja oferecer, isso pode incluir core banking, contas, pagamentos, cobranças, sistemas financeiros e conexões com outros participantes do mercado.
De acordo com a Barte, construir uma infraestrutura interna — incluindo core banking, integração com sistemas de liquidação de pagamentos e conexões com redes de cartões — pode custar inicialmente entre R$ 500.000 e R$ 3 milhões.
Além desse valor, existem custos contínuos relacionados a manutenção, atualizações e melhorias.
3. Necessidade de Profissionais Especializados
As empresas também precisam montar uma equipe para gerenciar as diferentes partes da operação.
Além de profissionais de tecnologia, podem precisar de especialistas em compliance, prevenção à lavagem de dinheiro, gestão de riscos, segurança e operações financeiras.
Para empresas cujo negócio principal não são os serviços financeiros, montar toda essa equipe pode consumir recursos que poderiam ser investidos no desenvolvimento de seu próprio produto.
Como Funciona o Banking as a Service?
O Banking as a Service (BaaS) permite que as empresas ofereçam serviços financeiros sem precisarem construir toda a infraestrutura necessária por conta própria.
Nesse modelo, um provedor especializado disponibiliza sua infraestrutura, e a empresa conecta os serviços de que precisa aos seus próprios sistemas usando APIs.
Imagine uma empresa que deseja oferecer uma conta digital aos seus clientes. Se ela escolhesse construir tudo sozinha, precisaria desenvolver ou contratar diferentes sistemas e serviços. Com o BaaS, parte dessa infraestrutura já está pronta.
A empresa integra os serviços necessários ao seu aplicativo ou plataforma e pode oferecer a conta como parte de seu próprio produto.
Para o usuário final, o provedor de BaaS pode sequer ser visível. Ele simplesmente vê uma conta, faz um pagamento ou realiza uma transferência dentro do aplicativo que já utiliza.
Os Principais Benefícios do BaaS
Lançamento Mais Rápido
Uma das principais vantagens do BaaS é começar com uma infraestrutura que já está pronta para ser integrada.
De acordo com os dados apresentados neste artigo, a integração com um provedor de BaaS leva em média três meses desde o início do projeto até a produção.
Isso pode permitir que uma empresa lance um produto financeiro no mercado mais rapidamente do que se tivesse que desenvolver toda a infraestrutura internamente.
Menor Investimento Inicial
Como grande parte da infraestrutura já existe, a empresa não precisa arcar sozinha com todo o processo de desenvolvimento e implementação.
Em vez de investir milhões para construir uma operação interna desde o início, a empresa pode contratar um provedor e pagar de acordo com o modelo comercial selecionado.
Isso pode ser especialmente útil para empresas que ainda estão testando uma nova ideia ou que ainda não têm volume suficiente para justificar a construção de uma infraestrutura própria.
Operações Mais Simples
O BaaS também pode simplificar as operações do dia a dia ao reunir diferentes serviços financeiros em uma única solução.
Dependendo do provedor, as empresas podem integrar contas, pagamentos, cobranças e outros serviços por meio de APIs.
Isso pode reduzir processos manuais e simplificar tarefas como conciliação e monitoramento de transações.
Facilidade para Escalar
O modelo também permite que as empresas expandam sua oferta de serviços conforme o negócio cresce.
Em vez de criar uma nova infraestrutura cada vez que lançam um produto, as empresas podem adicionar funcionalidades oferecidas pelo provedor.
Isso permite que as equipes dediquem mais tempo ao que realmente diferencia o negócio: desenvolver o produto, melhorar a experiência do cliente e crescer.
BaaS Significa Perder o Controle?
Não necessariamente.
Ao usar o BaaS, parte da operação é realizada por um parceiro, mas a empresa ainda controla aspectos importantes da experiência do cliente.
Por exemplo, ela pode decidir como os serviços são apresentados dentro do produto, quais funcionalidades são oferecidas e como são incorporadas na jornada do usuário.
A principal diferença é que a empresa não precisa desenvolver e gerenciar por conta própria todos os sistemas necessários para oferecer esses serviços.
Por isso, antes de escolher um provedor, é importante entender quais serviços ele oferece, quais responsabilidades continuam com a empresa e como a solução pode ser integrada à operação existente.
Quando a Infraestrutura Interna Faz Sentido?
Construir uma infraestrutura própria pode ser uma boa opção para empresas que precisam de um controle significativo sobre suas operações ou que já possuem escala suficiente para justificar o investimento.
Também pode fazer sentido quando os serviços financeiros são uma parte essencial do negócio e a empresa possui capacidade técnica, financeira e regulatória para desenvolver e manter a infraestrutura.
Nesse caso, a empresa assume mais responsabilidades, mas também ganha maior autonomia sobre a tecnologia, os processos e a evolução da operação.
Quando o BaaS é a Melhor Opção?
O BaaS pode ser mais adequado para empresas que desejam lançar serviços financeiros rapidamente, reduzir o investimento inicial ou testar um novo modelo de negócios sem construir toda a infraestrutura do zero.
É especialmente útil quando os serviços financeiros são apenas uma parte do produto, e não o foco principal da empresa.
Uma plataforma de software, um marketplace ou uma fintech, por exemplo, podem querer adicionar contas, pagamentos ou cobranças ao seu produto sem precisar se tornar uma instituição financeira completa.
Nesse caso, uma solução especializada permite que esses serviços sejam adicionados de forma mais simples e rápida.
BaaS vs. Infraestrutura Interna: Qual Escolher?
Não existe uma resposta única. A decisão depende de quanto controle a empresa precisa, quanto ela pode investir e com que rapidez deseja lançar o produto no mercado.
Critério | Infraestrutura Interna | BaaS |
Investimento inicial | Maior | Menor |
Tempo de implementação | Mais longo | Mais curto |
Controle sobre as operações | Maior | Compartilhado com o provedor |
Responsabilidade regulatória e operacional | Maior | Parte pode ficar com o provedor, dependendo do modelo |
Necessidade de equipe especializada | Maior | Menor |
Escalabilidade | Depende da infraestrutura construída | Pode ser facilitada pelo provedor |
Flexibilidade | Maior controle sobre o desenvolvimento | Depende dos serviços e APIs disponíveis |
Se o objetivo é ter controle sobre cada componente e a empresa possui recursos para construir e manter a operação, uma infraestrutura interna pode fazer sentido.
Por outro lado, se a prioridade é lançar serviços financeiros mais rápido, reduzir a complexidade e focar recursos no produto principal, o BaaS pode ser uma alternativa mais eficiente.
Como o BaaS Está Mudando o Desenvolvimento de Produtos Financeiros
O Banking as a Service permite que as empresas ofereçam serviços financeiros sem precisarem construir toda a infraestrutura por conta própria.
Por meio de APIs, os provedores de BaaS disponibilizam recursos que podem ser incorporados a diferentes produtos, como contas, pagamentos, cobranças e outros serviços financeiros.
Isso muda a forma como novos produtos podem ser construídos. Em vez de passar meses desenvolvendo toda a base necessária antes de lançar uma solução, as empresas podem usar componentes que já estão disponíveis e focar seus recursos no que torna seu produto diferente.
Para muitas empresas, esse é o principal valor do BaaS: transformar a infraestrutura financeira em um recurso que pode ser integrado ao produto, em vez de algo que precisa ser construído do zero.
A Transfero oferece infraestrutura financeira para empresas que buscam incorporar contas, Pix, pagamentos, cobranças e outros serviços financeiros em seus próprios produtos. Fale com nossa equipe comercial para descobrir como uma infraestrutura integrada pode apoiar o lançamento e o crescimento da sua operação.


